Cidade de concreto

cidade-de-concreto

a ninguém posso culpar
por ter feito as malas
e vindo parar nesse lugar
ao menos devia ter pensado
um requeijão, um kilo de andu,
meia dúzia pequi comprado

devia ter ido ao rio me despedir
coração ficou enterrado na areia
como piaba no anzol a sacudir
antes que o sol beba o rio
seque o abacateiro
e a alma aqui, morra de frio

pegarei a estrada de volta
no bolso poucas moedas
mas agora, nada disso importa
na mala velha, os sonhos guardados
tantos anos na lida e nada realizado
o mal de cada dia, a alma atormentada
o cheiro de fumaça, a rua engarrafada

no calor da juventude, me achava esperto
pé na estrada num dia de sol
multidão, carros, cidade de concreto
peço a Deus que a alma reverdeça
quero os amigos de volta
e que de tudo isso me esqueça

quero os versos de um poeta
o sol nascendo de manhãzinha
na cadência onde a alma se aquieta
nada quero o que dinheiro compre
nem casa, nem boi
apenas um lugar onde me encontre

Adriano Yamamoto (Data: 21/02/2013)

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2 opiniões sobre “Cidade de concreto

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