À seco

a seco
peço as pedras que gritem,
mandem seu recado
sem holofotes, enfeites,
nada muito requintado

peço à natureza que diga
nas folhas e nos corais
algo sobre Ti
porque o homem não pode mais

nas ruínas,
nos templos históricos
as palavras perdidas,
os ditos apostólicos

nesse mar de ritos e estágios
peço ao profeta que divida as águas
quero passar à seco, sem pedágios

com quantas pedras se faz uma crença?
com a mente atada, é possível que se vença?
com quantas mentiras se decide o que é permitido?
com quantos pecados se faz um homem perdido?

nessa manhã intenções sutis
que o criador nos perdoe
nos livre dos lobos, dos homens vis
e desse que sou, que mora dentro de mim
entregue às banalidades da vida
de egoísmo e erros sem fim

Adriano Yamamoto (Data: 01/04/2013)

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4 opiniões sobre “À seco

    • Patrícia, você está correta, o 1 de Abril de fato não invalida a sinceridade das palavras. Digo isso porque escrevi esse poema como um desabafo à um discurso que escutei numa instituição religiosa. Esse poema expressa os meus sentimentos em relação ao que escutei nessa data. Grande abraço!

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