Menino das Nuvens

DabianMenino das nuvens
Sonha de olhos abertos
O seu humor suave, gentil
Amigos sempre por perto
Te procurei, ninguém te viu 

Não há quem não se prenda
Ao seu amor descontraído
Agora, me diga, me surpreenda
Onde tem se escondido?
Me dê sinais para que eu entenda 

Um passarinho veio me contar
Disse melódico, num canto
Que numa ilha em alto mar
Você me espera sem pranto
Numa canção a dedilhar 

Quando quiser me ver
Se disfarce numa estrela
Brilhe forte, vou saber
A mais bonita, será você 

Adriano Yamamoto (Data: 09/07/2013)

* Para o meu eterno amigo, Dabian. Menino das nuvens, que sonhava de olhos abertos e vivia com a cabeça na lua. Trabalhou como voluntário numa ONG no morro do Borel – RJ. Ajudou a transformar a vida de muitos brasileirinhos.

Vôo sem asas

 

(Imagem: Abby Diamond)

(Imagem: Abby Diamond)

Eu que não sabia voar
Voei tão alto que tive medo
Nas suas asas a segurar
Rabisquei no céu um segredo

Eu que não sabia amar
Amei tão rápido sem saber
O coração se deixou levar
Voei, voei sem perceber

Eu que não queria me amarrar
Com seus olhos me encantei
Me perdi nos laços devagar
Fiz bem forte um nó e puxei

Cisma que podes voar
E nem asas tem
Vôo longe, bem alto
Nas asas de um certo alguém

(Data: 25/06/2013 – Para Luciane Yamamoto, dona das asas que me fazem voar)

Menino azarado

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Corre menino
Corre pelas ruas de terra
Porque a Terra
Do homem ainda ha de se fartar

Mergulha
Mergulha no rio
Porque o rio,
Nem o de Janeiro ha de sobrar

Pobre menino
Já nasceu com tudo por se acabar
Mas isso tudo
Não acontece só por azar
Pergunte a árvore
Pergunte ao ar

Adriano Yamamoto (09/11/2012)

Compasso Lento

(Imagem: Google imagens)

(Imagem: Google imagens)

Nesse compasso lento
Agora tento
Boto o pé na estrada
Me reinvento

Pela ladeira abaixo
Nesse riacho
Procuro um alguém
E até me acho

Na direção do desespero
Sem tempero
Bem no centro
Um tiro certeiro

Recolho os destroços
Dos dentes teimosos
Dessa serpente
Que rói os ossos

Nesse compasso lento
Tento…
Boto o pé na estrada
Reinvento…

Adriano Yamamoto

Três lugares

(Autor desconhecido)

(Autor desconhecido)

Ansiedade moderna
Desejo sem fundo
A eterna espera
Movimento sem fim
Letargia latente
Luxo, lixo, consumo inconsequente
Repouso, sinônimo de insignificância
Abstinência se trata com intolerância
Como lego,
escolha o que quiser, monte seu eu
Assim espero, mas quem espera já morreu
Te fito, quero afeto, não reflito
Tudo quero, não importa, não espero
Cru, queimado, assado
mas deixa pra lá, já é passado
Quero que passe a eternidade
quando meu olho piscar
No universo, nas estrelas,
na terra, em três lugares quero estar
Se não for assim
que seja do jeito que você quiser
Veloz como um raio de luz
esteja eu onde estiver

Adriano Yamamoto (Data: 06/12/2012)

* Postado originalmente no http://penseforadacaixa.com