Novo canto

julia-lanari

(Fotografia: Festa de Oxalá CCPJO. Júlia Lanari)

Voa passarinho, voa
Entoa um novo canto
Deixe o pranto pra lá
Leve nas asas do tempo
Leve aos pés de Oxalá

Poesia: Adriano Yamamoto

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Nós de nós

nos de nos

Pessoal, tenho andado um pouco ausente aqui no Compasso Lento por vários fatores e um deles é a criação de um novo espaço poético coletivo com vários outros amigos escritores. Gostaria de apresentar a vocês o nosso singelo e poético site www.nosdenos.com . Faça-nos uma vista. Voltarei às atividades normais do Compasso Lento. Me desculpem a ausência.
Grande abraço a todos vocês!

 

 

Lajedo

Minha participação na sessão de convidados especiais no Coletivo Claraboia. Espero que gostem. Agradeço ao pessoal do coletivo pelo espaço.

Coletivo Claraboia

Imagem: Lais Schulz Imagem: Lais Schulz

Neste exato momento
vi fotografias cruzando o ar
Sim, neste exato momento
Sumiram assim
antes do segundo findar
Abraços e beijos
vi também cruzando o ar
Sim, neste exato desejo
Sumiram assim
antes do atraso argumentar
Vi o que eu era
O futuro distante
Não existe mais espera
Sim neste exato arpejo
antes do verso terminar
Tudo o que digo
Minha mãe, meus amigos
Se deitam nesta rede
Neste inexato terreno
Antes da construção se levantar
Qualquer hora
onda atropela passarinho
Num galope veloz
Envelope derruba o ninho
Antes do destino enfim chegar
Se quiser guardar segredo
e à sós conversar
Se ajunte num lajedo
Numa conversa a sussurrar
Antes do bem-te-vi assoviar
Adriano Yamamoto é poeta, nasceu em Abril de 1982 na cidade de São Paulo-SP. Morou até os 18 anos na cidade de Janaúba, norte de Minas Gerais e vive atualmente em Belo Horizonte. Criador…

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Universo em confusão

coracao-no-varal
representar nunca foi o seu forte
abre logo ao meio, faz um corte
faísca no chão à fio de argumento
trovoada, inundação de sentimento

memória olfativa, audição eclética
seletiva, mas que se dane a estética!
samba, balança, batuca na mesa do bar
num piscar de olhos, desce do céu ao mar

clips, caderno, caneta, sapato, cd
coleção transbordando a casa, pode crer!
universo de idéias, manias e pessoas
instruídos, deselegantes, ateus e à toas

briga, diz que se sente abandonada
pede divorcio no meio da madrugada
pela manhã acorda calma e serena
alma grande, embalagem pequena

amor que salta do mais alto prédio
temperamento sem cura nem remédio
posa de Davi enfrentando o gigante
delicadeza de mulher, fina, elegante

Adriano Yamamoto – 22/05/2013

(Dedicado à minha esposa Luciane Yamamoto)

Olhar norte mineiro

seca

(Autor desconhecido)

Quando você voltou do norte
Vi nos seus olhos nublados
Céu sem nuvens, um ar de morte
Olhos de quem sofre duras penas
De quem enterra na terra seca
A esperança de uma gota apenas

Quando você voltou do norte
Vi nos seus olhos escuros
Um povo jogado à própria sorte
Que já nasce e cresce em apuros
Que coice de mula cedo ensina
Lata d’agua na cabeça, dura sina

Quando você voltou do norte
Vi nos seus olhos indiferentes
Que seca é quem mata gado de corte
Não por esporte, mas por dias quentes
O marrom da terra grudou na sua retina
Morte de planta, nem óbito se assina

Adriano Yamamoto – 10/05/2013

* A Região Norte de Minas Gerais enfrenta uma das piores secas de sua história. Mais de 120 municípios já decretaram situação de emergência e, de acordo com lideranças locais, os prejuízos causados nos últimos três anos pelo problema giram na casa dos R$ 500 milhões. Fonte em 26/07/2013 http://www.itatiaia.com.br/noticia/norte-de-minas-gerais-enfrenta-uma-das-piores-secas-da-historia

Afonso Pena com Bahia

Imagem

Acorda flor,
sai cá fora na janela
vem ver o sol
traço de aquarela
é feira na Afonso Pena
olha lá o Rauzito
tira foto, acena

na barraca do Lindorico
quadro de congado, folia de reis
veja bem companheiro!
lá vem o Lula outra vez
pega morena, uma mensagem do buda
a vida tá difícil, quem sabe ajuda

Vander Lee na barraca do chapéu
som na caixa, Alceu, Cartola, Noel
barraca de tropeiro, pamonha, mingau
fígado com jiló? só no mercador central
doce de leite, espetinho pra comer
o Dadá Maravilha! Cadê, cadê?

é feira no domingo,
sai cá fora Maria
na Afonso Pena
na esquina com Bahia

Adriano Yamamoto (Data: 25/02/2013 – Feira que acontece aos domingos em Belo Horizonte/MG. Começa na esquina da Rua da Bahia com Afonso Pena)

Rosa de Alice

Rosa de pano vermelho
Rosa desenhada de giz
Rosa no espelho
Rosa como se quis

Rosa do nascimento
Rosa dos santos
Rosa no esquecimento
Rosa dos encantos

Rosa dos ventos
Rosa de Hiroshima
Rosa dos inventos
Rosa que se aproxima

Rosa da Bahia
Rosa de Alice
Rosa que dizia
Rosalice

Adriano Yamamoto (Data: 02/05/2013 – para minha amiga Rosalice Sampaio)

o, a, os, as

A serpente de luzes e faróis
a borracha grelhando no asfalto
as vitrines, pessoas fisgadas em anzóis
as árvores sozinhas na paisagem
as caixas de cimento e vidro
os pássaros assoviam numa velha abordagem

os olhares rasos no elevador
a fúria do relógio veloz
as palavras frias sem sabor
a cidade de sentido criado
o céu de telha cinza breu
o aroma do amor futilizado

o buquê de árvores pra respirar
as pessoas enlatadas ao redor
o transporte público para navegar
o homem que espalha raízes
as raízes que buscam água
a galeria de pessoas felizes

os fragmentos de plástico com crédito
os sentimentos cozidos à vapor
o vale a pena ver de novo inédito
a engrenagem que não para de girar
a ferrugem dos neurônios ociosos
os meus dias que vão no ar

Adriano Yamamoto (26/02/2013)