Moinho

(Imagem: Mãos livres - Daniel Zanini - Fonte: Flickr)

(Imagem: Mãos livres – Daniel Zanini – Fonte: Flickr)

Roda, acorda, torna a girar
Incansável moinho
Ingrata água, se deita no mar
Papel de parede noturno
Onde se penduram a lua
As estrelas e até saturno
Enxadas que marcam o chão
Esporas que ferem a pele
Os frutos que sempre se vão
Arrancaram da mão a palma
Tudo escorre, sempre corre
Hoje acordei e não vi minha alma
Mas calma, amanhã, tudo roda
Acorda e torna a girar
Vou derrubar o céu na madrugada
Quero ver desabar os astros
A lua se sustentar numa jangada

Telhado de Estrelas

(Pintura: Donna Williams)

(Pintura: Donna Williams)

Hoje, numa manhã de maio
Vi uma mulher inconstante
O mundo sempre se distrai
E por mais que se cante
As palavras soam banais
Despidas de afetos reais

Telhado de estrelas no céu
O sol vem vindo, luminoso véu
Luz da lua, banho de brisa
À ferro e fogo se estigmatiza

Inconstante mulher, sempre vê
Das janelas à céu aberto
Os que vem e vão sem saber
Vento de caminho incerto
Cidade que cedo desperta
Relógio veloz, sempre alerta

Telhado de estrelas no céu
O sol vem vindo, luminoso véu
Luz da lua, banho de brisa
À ferro e fogo se estigmatiza

Adriano Yamamoto – 16/05/2013