Desabafo de um ancião

(Fotografia: Fabiano Lopes)

(Fotografia: Fabiano Lopes)

A vida segue obstinada um rumo
Gira, desvia, não perde o prumo
Vive o moço, morre o ancião
Mas toda regra tem sua exceção

O que esperarei dessa vida?
História infeliz e sofrida
De quem cedo perdeu um neto
Num golpe de mortal desafeto

Deveria ter ido em seu lugar
Chorei, mas não pude optar
Ao Pai do céu cansei de pedir
Clamei dia e noite a repetir

É certo que há de passar
Dói tanto que adormecerá
Mas isso sempre me intriga
Ao lado a dor, fiel inimiga

Mas não sou o único sofredor
O menino Jesus, nosso senhor
Sem ouro, prata, coroa ou anel
Cedo, ainda moço, se foi pro céu

Deixou sozinha a virgem Maria
Mulher que cedo perdeu sua cria
Quando a saudade vinha, rezava
Uma estrela lá do céu acompanhava

(Adriano Yamamoto – Data: 17/06/2013 – Baseado na história do meu falecido avô, Hermínio Alves dos Santos, que mesmo sem saber decifrar os códigos do alfabeto, soube me transmitir através de suas histórias e estórias, toda a magia existente no universo da cultura oral do norte e nordeste brasileiro)

Menino das Nuvens

DabianMenino das nuvens
Sonha de olhos abertos
O seu humor suave, gentil
Amigos sempre por perto
Te procurei, ninguém te viu 

Não há quem não se prenda
Ao seu amor descontraído
Agora, me diga, me surpreenda
Onde tem se escondido?
Me dê sinais para que eu entenda 

Um passarinho veio me contar
Disse melódico, num canto
Que numa ilha em alto mar
Você me espera sem pranto
Numa canção a dedilhar 

Quando quiser me ver
Se disfarce numa estrela
Brilhe forte, vou saber
A mais bonita, será você 

Adriano Yamamoto (Data: 09/07/2013)

* Para o meu eterno amigo, Dabian. Menino das nuvens, que sonhava de olhos abertos e vivia com a cabeça na lua. Trabalhou como voluntário numa ONG no morro do Borel – RJ. Ajudou a transformar a vida de muitos brasileirinhos.